sexta-feira, 6 de abril de 2012

O preço do amanhã

Hoje assisti um daqueles filmes memoráveis, que faz refletir e, mais do que isso, desperta uma vontade linda de encarar as coisas sob uma nova perspectiva. Como diria Chaplin, "num filme o que importa não é a realidade, mas o que dela possa extrair a imaginação".
Andrew Niccol teve uma brilhante ideia que acabou por incluir um pouco daquelas explosões e correrias hollywoodanas, mas que ainda assim fez de "O Preço do Amanhã" (In Time, 2011) um filme muito interessante.
No mundo de O Preço do Amanhã, tempo é dinheiro. Literalmente. Nele, as pessoas nascem com um relógio no braço. Quando elas fazem 25 anos, não envelhecem mais, mas em compensação o relógio começa uma contagem regressiva. A partir daí, elas têm um ano de vida. Para não morrerem, as pessoas trabalham em troca de mais tempo de vida, e pagam todas as suas contas justamente com o tempo que lhes resta. Enquanto tem gente que vive um dia de cada vez, outros têm décadas, alguns até séculos. Obviamente, como em qualquer sociedade dividida por classes, isso acaba por gerar tensão e crime.
Justin Timberlake é Will Salas, um pé-rapado que se acostumou a nunca ter mais de 24 horas restantes no seu relógio. Tudo munda quando, num belo dia, ele ajuda um homem que tem anos de sobra e é presenteado com um século de vida. Enquanto ele vai até o bairro dos ricos (chamados no filme de “zonas de tempo”) sentir um gostinho da vida boa, a polícia resolve investigar a transação e começa a persegui-lo.
Assim como nos países da nossa sociedade, para atravessar uma fronteira existem barreiras com as quais nem todo mundo pode arcar, e é justamente para isso que elas estão lá. Exatamente como na realidade, tem um monte de gente esbanjando enquanto outras têm menos do que o suficiente para continuarem vivas. Aqui já temos um comparativo muito reflexivo: porquê perdemos tanto tempo em coisas banais? O que fazemos com o que temos? Será que não temos o suficiente enquanto tanta gente daria tudo para ter talvez um terço do que possuímos e muitas vezes não valorizamos?
A quantidade de bens que a nossa sociedade produz é mais do que suficiente para todos viverem dignamente, mas o sistema é organizado para que aqueles que têm muito tenham cada vez mais, enquanto os que têm menos tenham cada vez menos. Essa é uma discussão bastante presente neste filme, e é o que o torna tão especial.
O primeiro ato é repleto de diálogos que servem para apresentar seu mundo como uma metáfora para o nosso. Depois começa a ação, culminando em algo que poderia ser chamado de "Robin Hood moderno".
Nesse sentido, o filme traz críticas sociais e metáforas relativas à nossa própria forma de vida. E faz isso de forma criativa e divertida, apesar do assunto ser bem sério. Um ponto positivo do filme. Ele mistura reflexão com o cinema que estamos acostumados, aquele apenas fascinante por efeitos e explosões. E por isso mesmo, merece destaque entre os demais que têm saído por aí, por não ser apenas explosões.
“Para alguns serem imortais, muitos devem morrer” é a frase do filme. Saindo da caverna de Platão e traduzindo pra realidade: "Para alguns serem ricos, muitos devem passar fome". Eis o nosso mundo e seu sistema desigual, no qual há o suficiente para todos mas alguns têm demais, deixando nada para alguns. Triste realidade.

Finalizo com outra frase do filme que me fez pensar: "Um dia é muito tempo."


Andrew Niccol

sábado, 5 de novembro de 2011

Fome x Desperdício

O último dado sobre a fome no Brasil, divulgado pelo IBGE, mostra que 14 milhões de brasileiros passam fome. A pesquisa, de 2006, demonstra que 7,7% da população vive em domicílios nos quais a fome é uma realidade. Já outra pesquisa, uma publicação do Pnad (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio), 2009, revela questões de insegurança alimentar. O estudo aponta que 65,6 milhões de pessoas estão vulneráveis à fome: perderam qualidade em sua dieta; ingeriram alimentos em quantidade insuficiente ou têm preocupação com a falta de dinheiro para comprar comida.
Em contrapartida, segundo dados da Embrapa, 2006, nosso país coloca no lixo, por ano, 26,3 milhões de toneladas de alimentos. Diariamente, desperdiçamos o equivalente a 39 mil toneladas, quantidade suficiente para alimentar 19 milhões de brasileiros com as três refeições básicas: café da manhã, almoço e janta. Ainda segundo outra pesquisa, do Instituto Akatu, 2003, intitulada “A nutrição e o consumo consciente”, aproximadamente 64% do que se planta no Brasil é perdido ao longo da cadeia produtiva: 20% na colheita; 8% no transporte e armazenamento; 15% na indústria de processamento; 1% no varejo e 20% no processamento culinário e hábitos alimentares.
Mas por que existe tanto desperdício? A resposta está na cultura do desperdício, incorporada de tal forma à vida brasileira que nada de concreto é feito para reverter os números absurdos do que se perde. Segundo dados da Organização das Nações Unidas, o Brasil manda para o lixo 30% de tudo que produz. Num país no qual mais de 30 milhões de pessoas estão abaixo da linha da pobreza, desperdiçar passa a ser uma questão antiética e um desrespeito à cidadania. Faz-se necessário uma mudança de atitudes e hábitos para reverter a situação.
Não se trata apenas da fome alheia, se trata de desperdício. Quando alguém joga no lixo uma comida que poderia ser consumida sem problema algum, como por exemplo, uma cenoura, não é apenas um legume que está indo para o lixo, se trata de terra fértil, água potável, combustível, oxigênio, mão de obra, entre outras coisas. Gera-se, de uma só vez, problemas além da fome. Para que exista uma mudança de hábitos da população referente aos alimentos que consome, é necessário mostrar o real problema de não saber aproveitar os alimentos que possui: isso interfere na vida de outras pessoas, e também na vida do próprio planeta. Ao desperdiçarmos toneladas de alimentos diariamente, contribuímos para a degradação econômica e social do nosso país, prejudicando a saúde de milhões de pessoas, cidadãos que sofrem com a irracionalidade do desperdício.
Hoje, felizmente, já existem pessoas preocupadas com essa questão, mas estamos apenas no começo. No Brasil, segundo o site da revista Época, há pesquisas com coberturas comestíveis para frutas dentro da Embrapa. O pesquisador Odílio Assis, da Embrapa de São Carlos, São Paulo, conseguiu que pêras com casca mergulhadas num líquido à base de zeína, uma proteína do milho, parecessem recém-colhidas por mais de dez dias, sem refrigeração. Goiabas também duraram mais quando cobertas com uma solução feita com a goma do cajueiro. Segundo Assis, nenhuma cobertura desenvolvida até agora funciona para qualquer alimento. Enquanto alguns descobrem formas de fazer os alimentos durarem mais, outros continuam auxiliando na reeducação na forma de consumir alimentos: o site Love Food, Hate Waste (Amar comida, Odiar desperdício) educa pessoas para desperdiçar menos alimentos no dia-a-dia. Desde dicas de como armazenar corretamente os alimentos e como montar uma lista de compras de mercado, o site quer reeducar a população do Reino Unido (mas as dicas também valem para nós brasileiros!). Para isso, ele usa ferramentas como o planejamento de refeições, o que é necessário manter em casa e como cuidar para os alimentos serem usados antes do fim do prazo de validade. Além disso, eles disponibilizam receitas que usam sobras de alimentos, reaproveitando tudo possível. Outra ferramenta é o cálculo de porções, que mostra a quantidade de alimentos que deve ser preparada para um determinado número de pessoas, levando em consideração o número de pratos preparados.
“Comer é um ato agrícola”, disse Wendell Berry (fazendeiro e economista americano). “É também um ato ecológico, além de um ato político. Ainda que muito tenha sido feito para obscurecer esse fato bastante simples, o que e como comemos determinam, em grande parte, o que fazemos do nosso mundo – e o que vai acontecer com ele.”, menciona Jaqueline Ramos em um artigo para o Instituto Akatu. Fica evidente que a questão do desperdício pode ser erradicada nos pequenos detalhes, e que também não é uma questão apenas brasileira, mas mundial. Comecemos pela nossa casa. Espelhemos a consciência do grande problema que pequenas ações de desperdício podem trazer para nossos vizinhos e amigos. Quem sabe isso não se espalhe mais longe e possamos viver em um mundo mais justo, no qual temos comida suficiente, mas também não temos ninguém passando fome.

sexta-feira, 21 de outubro de 2011

Amor-perfeito

Existe amor-perfeito?
Pensava eu que era uma flor
Conceito para uma violeta do campo.
Mas então descobri
Que existe o amor-perfeito
Na imperfeição que sorri
E gera encanto:
O perfeito amor de quem sabe amar.

O amor é simples. O amor é belo. O amor acontece o tempo todo. Você que vive atrás de um amor pra viver, simplesmente sorria e sinta a vida que existe em sua volta, essa beleza toda que é estar vivo. Se permita deitar na grama de vez enquando e compartilhar momentos fora da rotina. Faça cada segundo valer a pena, ame intensamente o que a vida oferece para você, cante uma canção pela manhã ao invés de ficar mal humorado, dance quando sentir vontade, ria alto e esqueça o que os outros estão pensando. O amor é perfeito para quem sabe amar.

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

Twitter, minha segunda casa

Esses dias parei pra pensar na minha dependência do Twitter. Que coisa louca. Se hoje resolvessem por uma razão muito absurda tirar ele do ar confesso que teria um vazio na minha vida.
Criei um hábito tão grande em fazer as mais diversas coisas através do microblog que sem ele minha rotina sofreria mudanças drásticas. Desde a hora em que acordo, encontrar sempre as mesmas pessoas que sofrem com o terror de acordar cedo como eu, me motiva. Ficar bem informada e acabar debatendo sobre isso no decorrer da manhã, me empolga. Quando não tenho nenhuma forma de ver o meu time jogar, basta acompanhar o @gremiooficial e sei quando sai um gol. Se não fosse o Twitter, não teria encontrado metade dos links interessantes que encontrei, bem como não teria compartilhado tanta coisa interessante com gente mais interessante ainda.
Não chega a ser uma revolução, mas sem dúvidas twittar é algo que acrescenta muita coisa na minha vida. Na verdade, as mídias sociais de uma forma geral são fascinantes, e o Twitter consegue reunir a porta de entrada pras mais diversas informações existentes. Ultimamente, graças a essa junção de mídias sociais, estamos vendo um povo muito mais motivado até politicamente. Quando, na história desse país, vimos um sete de setembro com tantas manifestações? Maioria delas começadas ali no Twitter e no Facebook. Mobilização. As mídias sociais estão gerando mobilização.
Até mesmo a comédia está mudando. Nunca antes se viu tanto humorista com humor de qualidade surgindo por aí. Alguém tem que tirar a audiência do Zorra Total (se a internet estivesse presente em 99% das casas como a TV, pode ter certeza).
E a volta do rádio? Ninguém mais escutava rádio, e agora bombam os podcasts, já que as rádios tradicionais estão se ligando e transferindo seu conteúdo para web. E que espaço pra trabalhar comportamento do consumidor e estudar construção de marcas.
E por fim, nunca antes você pôde tuitar (já até aportuguesamos o inglês) de qualquer lugar que estivesse, algo impressionante que acabou de ver na rua e de repente compartilhar com um monte de gente.
Assim como agora vou linkar esse post no meu twitter pra que você possa ler também (e pode ter certeza que muito mais gente vai ler por causa disso) ;)

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Orgulho de ser daqui

Ser gaúcha é tri legal tchê. É adorar a rivalidade entre Grêmio e Inter, é tomar chimarrão todas as manhãs, é nunca ter participado de um CTG mas admirar e respeitar muito a cultura da Terra. É cantar o Hino Rio-Grandense em eventos, e cantar com amor. Ser gaúcha é visitar Itaimbezinho, Torres, Gramado, Rio Grande e Porto Alegre, ver tanta coisa diferente, e ainda assim estar em território gaúcho.


É curtir uma costelinha no domingo, é ler livros de Martha Medeiros, Caio Fernando de Abreu, Luis Fernando Veríssimo e Fabrício Carpinejar, descobrir que os textos deles são loucos de bom, e destacar sem modéstia que eles são daqui. É ter gente da gente pelo mundo inteiro fazendo história, desde Daiane dos Santos até Gisele Bündchen. É ver descendente de italiano, alemão, açoriano, espanhol e guarani falando "tu". É querer ter se separado do Brasil um dia, e mostrar, sem receio, o sangue entre o verde e o amarelo na sua bandeira. Vai muito além da pilcha, é uma questão de paixão.


Ser gaúcho é ter orgulho de Engenheiros do Hawaii.


Orgulho de Os Serranos.


Ser gaúcho é ter nascido em algum canto do Rio Grande do Sul e amar muito isso. Mesmo com a política imperfeita, mesmo com os buracos nas estradas, mesmos com os pedágios e pardais, mesmo com as chuvas. Pois nada pode tirar de um gaúcho o orgulho de ser daqui. E é isso que nos faz ecoar pelo mundo.

terça-feira, 30 de agosto de 2011

Correr e esperar


De que vale a correria essa nossa de cada dia
Se não sabemos aonde estamos indo?
Corremos para quê?
Para atingir o inalcansável?
Alcançar o infinito?

Me toca o alcansável
O finito
Assim como somos nós todos
Efêmeros sem destino previsível
À espera de uns tantos quantos milagres
E alguns outros acontecimentos
Esperar para quê?

Eis o nosso grande axioma:
Se corre e se espera pela vida
Ocupados demais a correr
Preocupados demais a esperar

Sou a favor do erro
Sou a favor de viver essa coisa toda
Que é a vida a nossa volta
A favor do aprendizado
Que só vem para os dispostos a expor
Sua cara
E seus sentimentos

E acima de tudo sou a favor de não correr
Nem esperar
Pois o único verbo que se aplica à vida
É viver

quarta-feira, 10 de agosto de 2011

Olhando nos olhos

Hoje em dia é tão difícil encontrar alguém que te olhe nos olhos quando conversa contigo, vocês não acham?
Normalmente as pessoas falam sem se olhar, falam olhando pra outros lugares, falam pensando em outras coisas. Falam olhando nos olhos também mas não olham de verdade. Sabe, olhar de verdade. Isso significa prestar atenção total naquela pessoa naquele momento e não ignorar rapidamente e fazer de conta que ela é uma pedra sem pensamentos, sem sentimentos.

Muitas vezes algumas pessoas já se pegaram surpreendidas enquanto eu as olhava falar. Eu acho isso tão engraçado pois não deveria ser exceção e sim regra, esse ato de prestar atenção na outra pessoa e se colocar no lugar dela; eu acho a coisa mais incrível do mundo a troca de uma conversa franca entre duas pessoas. Coisa rara hoje em dia, saber conversar, saber falar e aceitar falar sobre tudo, mas acima de tudo saber ouvir. E aí que entra a questão de olhar de verdade. O mundo não seria melhor se todo mundo se olhasse de verdade?

Acho muito triste e até trágico pessoas que fazem críticas soltas ao vento. Pessoas que não olham nos olhos, que não procuram nem sequer conhecer o que estão criticando, não procuram saber como foi idealizado e as razões pelas quais o que criticam é como é. Pessoas sem conteúdo. Que abrem a boca pra falar mal mas não olham nos olhos pra ouvir as razões do que criticam. Que não colocaram a mão na massa pra sentir o quanto foi difícil fazer o que para elas parece, por não conhecer, fácil. Bonito é uma crítica construtiva, real, crítica com conhecimento de causa. Conversa de amigo mesmo, que quer que o outro cresça e melhore com o que se pode ensinar, mas que sabe que se pode aprender ao conversar olhando nos olhos. Ninguém sabe tudo. E apenas críticas construtivas podem nos tornar pessoas melhores.

Pra viver eu só preciso de pessoas que olhem nos olhos, de verdade. O resto, serão os bons frutos de uma interação sincera. Sou pelo olho no olho e não dente por dente.